sexta-feira, outubro 26, 2007


Malabares \o/


Quando você escuta falar em MALABARES, o que lhe vêm a cabeça? Pedintes no sinal? Circo? Rave? Está enganado quem se limita a pensar assim, malabares em Fortaleza se tornou ideologia, diversão, arte e cultura.
A Praça Portugal virou o grande local de diversão para quem pratica malabares, pois é um espaço onde não impede passagem, é tranqüilo e acessível. Já ocupada por outras "tribos" como os emos e os góticos, é freqüentada também pelos malabaristas que se reúnem para trocar idéias, ensinar e acima de tudo se divertir.
O grupo se reúne dias de segunda, quartas e quintas na Praça Portugal que hoje é um ponto de encontro para quem pratica e gosta dos malabares. Já nos finais de semana o point é a Praça Verde do Dragão do Mar, com a finalidade de atingir o público infantil.
Um dos precursores dessa “brincadeira” foi Rafel Vieira, com vinte e seis anos de idade e dois deles dedicados aos malabares, Rafa explica melhor como eles se tornaram uma filosofia e um meio de vida e o motivo da paixão pelo “brinquedo”.
Há dois anos atrás os malabares não eram muito conhecidos, Rafa se interessou e buscou aprender sobre essa “cultura” que está mais ligada a região sul e sudeste do país e que tem uma forte ligação aos festivais de música eletrônica da Europa. Naquela época pouco se ouvia falar, mal se via alguém praticando e eram poucos sites que falavam a respeito.
Depois de conseguir fabricar seu próprio swing poi (nome dado a um dos malabares) ele passou a fazer e vender para seus amigos que juntamente com ele se apresentavam em festas, raves e onde tinha música eletrônica. Com o incentivo dos amigos, ele aprendeu o piro malabarismo (malabares de fogo) e montou um grupo para que pudessem se apresentar profissionalmente.
Rafa que já tinha um site chamado arte do rafa.com que servia como portfolio para seu material como telas e outras pinturas que fazia passou a utilizar o site como suporte, expondo seu trabalho e vendendo seu produto. A idéia que se sustenta até hoje é que ele possa levar as pessoas informações que ele não teve quando quis conhecer essa arte.
Mas não foi fácil para difundir essa idéia. O preconceito, a desvalorização do trabalho, o desinteresse das pessoas foram os principais obstáculos a serem vencidos por ele e são até hoje. Porque os malabares está associado ao marginalismo, aos pedintes de sinal, as raves e consequentemente as drogas, mas na verdade isso é um estereotipo que as pessoas criam para julgar aquilo que elas não conhecem,afirma Rafa.
Apesar de muitas vezes se encontrarem no mesmo espaço físico, a rave, os malabares e as drogas não tem ligação. Os malabares na verdade são usados nas raves por causa da batida do som que casa perfeitamente com as manobras dos malabaristas. Na realidade os malabares está diretamente ligado ao circo.
Porém, mesmo com essas dificuldades Rafa e sua equipe não desistiram de divulgar e levar mais e mais adeptos a conhecerem essa arte. O objetivo é de levar as pessoas o lazer e a brincadeira como uma forma de fazer amigos, conhecer lugares novos, estar de bem com o corpo e a alma e principalmente não reter e prender essas informações.
Além de tudo, os alunos passam a ser professores, quando eles chegam à um nível que possam ensinar, viram instrutores e ajudam aqueles que estão chegando, por isso a aula é gratuita, porque você aprende para mais tarde ensinar a um novo aluno que está iniciando.
A preocupação do grupo é que as pessoas não comprem somente os malabares e sim o lazer, a brincadeira. A intenção não é fazer com que elas vivam de malabarismo, mas ter um momento de descontração, alegria.
Rafa diz que mesmo depois de ter os malabares como um meio de sustento, como profissão a diversão não deixou de o acompanhar. “Quando a gente ta trabalhando, a gente ta se divertindo”, claro que com responsabilidade, garante ele.
Os malabares além de ser entretenimento para quem faz é para quem assiste também. Nas suas apresentações o grupo Arte do Rafa utiliza de figurino, performances, cenário levando um pouco do teatro para o público.
“Malabares socializa, porque a gente não tem nada demais para oferecer e apenas com os malabares contagia as pessoas que acabam querendo ver, conhecer, aprender e assim por diante. Malabares seduz, consegue unir” diz Rafa.
Seu objetivo é que um dia os malabares se torne um brinquedo para todas as idades, pois acredita que “quando se perde a criança que há em você vai embora junto o prazer de viver”.
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